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sábado, 14 de junho de 2008

A VIDA VALE À PENA SER VIVIDA EM SUA PLENITUDE

A TERAPIA PSICANALÍTICA E A VIDA SAUDÁVEL

Não há quem não tenha tido alguma desilusão ao longo do percurso da sua vida. Decepções, frustrações e surpresas desagradáveis assaltam nossas vidas com freqüência bastante elevada e em constante crescimento. Além do mais, quase nunca bate à porta antes de entrar, chega de improviso, pegando nossas emoções desprevenidas e nos deixando no fundo do poço. E é interessante observar que essas situações indesejadas não começaram acontecer em nossa vida a partir de um certo tempo, como por exemplo, depois que entramos na fase da adolescência, da juventude ou mesmo da fase adulta. Nem tampouco somente depois que nos casamos ou nos separamos. Quando avaliamos nossas vidas através da linha do tempo da nossa existência, certamente vamos perceber que desde o primeiro instante que conseguimos ter noção da nossa vida, ter entendimento de nossa existência aí também começaram a se instalar em nossas vidas os problemas. Não se trata de se fazer apologia ao sofrimento humano, nem tampouco o generalizando ou negando que o ser humano experimenta momentos felizes, e não poucos. Como regra geral, todo ser humano busca ser feliz, estar em harmonia, em paz com a vida e normalmente, a maior parte da vida de uma pessoa está no lado positivo da linha divisória. Isso significa que os momentos de alegria ou de satisfação de uma pessoa ao longo de sua vida são maiores do que de tristezas ou angústias. Entretanto, por incrível que pareça, os poucos momentos de decepção e tristeza de que somos acometidos são muito mais impactantes que os muitos momentos alegres que temos. Ou seja, os momentos tristes nos suplantam muito mais do que os alegres nos levantam. Um exemplo claro disso é um casal, marido e mulher, por exemplo, que dificilmente vai se lembrar qual foi o teor da conversa que teve na última vez em foi à pizzaria ou a um restaurante, mesmo sentando-se juntos e passar muito tempo conversando; mas certamente se lembrará com muita facilidade de uma ofensa recebida naquele lugar, mesmo que tenha se passado muito mais tempo. Esta é a grande diferença. Os fatos que nos trazem tristeza, decepções, frustrações e etc. deixam profundas marcas em nossas vidas e geram traumas complexos e dolorosos. Marcas profundas que não se curam sozinhas nem desaparecem com o tempo. Aquela velha estória que “o tempo faz esquecer ou apagar” é falsa. Tudo o que acontece conosco, seja bom ou ruim, fica registrado e com o tempo vai se alojar no inconsciente. E é exatamente aí que mora o perigo. Traumas ocorridos em nosso passado, por mais remoto que seja, dos quais normalmente não nos lembramos mais, estão vivos em nosso inconsciente e seus impulsos nos alfinetam constantemente gerando em nós grandes angústias. Não é sem causa que algumas pessoas em determinados momentos se sentem angustiadas, deprimidas, peito apertado, vontade de chorar, etc. Existe uma ferida aberta dentro dessa pessoa e normalmente ela não sabe. É aí que entra a Terapia Psicanalítica: curar essas feridas invisíveis e eliminar as angústias da alma geradas por elas. E o fantástico é que a Psicanálise não usa qualquer tipo de medicamento. É a cura pela FALA. Afinal, todos têm o direito de verem as flores e sentirem seu perfume gostoso. Direito de amar e serem amados, de abraçar e serem abraçados, olharem para o verde, para o belo.. Direito de se verem no espelho se acharem o máximo. Chega de angústias, tristezas, depressões. Já que temos que viver, por que não vivermos bem?!

Romildo P. Módolo - Psicanalista

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