CRÔNICA DE DEUS
Hoje,
tomei uma decisão muito particular. Resolvi abrir meu coração e permitir que os
meus chegados pudessem ter um leve lampejo daquilo que guardo à sete chaves há bastante
tempo, para não entrar no detalhe de anos, décadas, séculos, milênios ou quiçá,
eternidades!
Muito
me apraz que tomem conhecimento de uma ínfima parcela de coisas que estão
guardadas no mais íntimo da minha alma, em profundo segredo, muitas delas desde
os tempos eternos, outras bem mais recentes, apenas alguns milênios, mas, que
enfim, hoje resolvi botar pra fora e lhes revelar.
Essas
coisas configuram dentre aquelas que são extremamente significativas de tudo o
que já aconteceu por toda a eternidade, não somente a mim, mas a toda a
existência.
Considerando
a cronologia que resolvi estabelecer para reger os tempos da terra, percebo que
já se passaram mais de trinta e três anos; para ser mais exato, um pouco mais
de trinta e três anos e meio. O mais incrível de tudo isso que aquilo que deveria,
para mim, ser apenas um lapso de tempo, realmente está parecendo, como dizem os
humanos, uma eternidade. A impressão que tenho é que o “tempo” parou no tempo
ou, quem sabe, vocês dizem a todo tempo, por aqui não existe mesmo o “tempo”.
Sabem
de uma coisa bem pessoa, para continuar falando a verdade como sempre: nunca
pensei que chegaria o “tempo” em que começaria a marcar e a contar o
tempo, se é que vocês me entendem!!
Em
toda a minha eterna existência nunca houve e nem jamais haverá um “tempo”
tão longo como aqueles trinta e três anos e meio.
Decididamente
uma eternidade!
Acreditem
se quiserem, mas sei que crerão em tudo o que eu disser, mas durante todos aqueles
infindos anos, nem um dia sequer deixei de olhar durante muitas horas por dia,
cuidadosa e atentamente para a terra, na expectativa, sabem, de talvez poder vê-lo
andando daqui pra lá e de lá pra cá, já que ele é incapaz de permanecer estático,
parado por muito tempo. E sempre que conseguia vê-lo, em nenhum de todos desses
dias o vi sentado à sombra de uma árvore ou deitado em uma rede ou ainda em uma
linda cachoeira e por sinal ele mesmo havia criado aí na terra. Não! Ele não sabia
apenas ver o ver o tempo passar. Suor no rosto, poeira nos pés, barba por
fazer, cabelos despenteados, um lanche na mochila e assim mais uma vez lá vai
ele apressado caminho do mar.
Alguém
o chamou! E, lá vai ele de novo. Nem deu para terminar o lanche. Mas isso é
próprio dele. Sempre foi assim. Primeiro os outros. Se der, me cuido depois,
falava ele, ainda por aqui.
Há
três dias não o vejo por andando por aí sobre a face terra. Mas isso não me
preocupa agora.
Com
certeza parado não está.
É
provável que esteja terminado mais uma das suas missões extremamente importante
em algum outro lugar.
Ele
sabe o que faz e conhece cada o detalhe desse projeto que ele mesmo ajudou a
planejar.
Deve
estar e riscando da sua agenda certas pendências antigas; dívidas pagas a alto
preço em prol da liberdade.
Trata-se
um acerto de contas preliminar.
Dívidas
feitas há tempos pelos homens, mas ele desceu lá no abismo, na região da sombra
da morte para quitá-las por eles.
E
com certeza, se conheço bem o meu Filho, ele vai arrancar a duplicata da mão do
agiota, esfregar em sua cara o comprovante de quitação paga e rasgar ali mesmo.
Então
declarará para os principados, potestades, demônios e para a morte: “Eles agora
são inocentes e voltarão para o lugar original de onde saíram, mas vocês irão
para o inferno. Aguardem! O dia de vocês chegará”.
É
exatamente isso o que está acontecendo e por isso não vejo mais caminhando de
um lado para o outro. Por isso ouvi um brado há três dias: Está consumado! Até
eu me arrepio!
Meu
Filho é o MÁXIMO!.
E
agora, por esses dias, há um movimento frenesi por aqui.
Uma
vigília constate, uma espera incansável pelo retorno dEle. O tempo cumpriu-se.
Tudo está feito. Cada movimento, cada ação da Sua vida na terra foi
rigorosamente acompanhado por todos nós por aqui. Muitos foram tensos, outros
simplesmente espetaculares. Mas nenhum deles fugiu um “til” dos seus propósitos
por mim planejados. Para isso, além da minha ação própria e do Espírito Santo,
mobilizei também os exércitos que Ele havia criado e treinado e os coloquei
inteiramente à serviço do REINO. Vitória esmagadora! Obediência absoluta de
Jesus, o Filho Amado!
O CÉU EM ESPERA
O momento mais esplendoroso, mais magnífico, mais
espetacular que a eternidade jamais presenciou até então, posso dizer sem “medo
de errar”, o mais esperado e desejado de todas as potestades celestiais, enfim
aconteceu. Por mais que tivéssemos preparado tudo no detalhe, ainda assim fomos
“surpreendidos” pela magnificência do esplendor e da exuberante glória daquele
momento único, quando meu Filho querido, Jesus, rompeu os portões celestiais
num ato de profundo altruísmo com uma coroa de conquista REAL em sua cabeça e um
brado de VITÓRIA em seus lábios. Ele entrou imponente, elegante, confiante como
uma verdadeiro Rei e Senhor, absoluto.
Os
céus então se abriram e se curvaram diante a Majestade suprema do seu Senhor.
Não
houve quem não se curvasse, quem não o adorasse, quem não tentasse tocar nEle
de novo, agora Jesus Cristo Homem ..... como dizem os humanos: o cenário era
realmente divino.
Como
ansiei por este momento!
Como
trinta e três anos e meio até para mim parece que “demoraram” mais do que que
deviam!
E
vejam que momento singular é este. Meu Filho não veio só. Fiquei muito “tempo”
prestando “toda” minha atenção somente nEle, pois queria abraçá-lo de novo e
dar aqueles tapinhas nas costas e dizer aquelas coisas que a gente diz para as
pessoas que amamos e também enaltecer Sua preciosíssima vitória sobre o pecado,
a morte e o inferno. Mas assim que abri meus olhos, ainda abraçado a Jesus,
enxugando algumas lágrimas em suas próprias vestes de linho brancas, vejo bem
atrás dele uma multidão que quase “nem eu” podia contar de tão numerosa.
Estavam lindos! Jubilosos! Eufóricos! Não conseguiam fechar a boca um só segundo
e todos a uma só voz entoavam o cântico novo que meu Filho os havia ensinado e
colocado em suas bocas. Estavam todos lindos, exuberantes inexplicavelmente belos!
Todos
usavam as vestes brancas que Jesus havia levado quando foi para a terra e
percebi que nenhuma veste foi trazida de volta em sua mochila. Aliás, vi que
nem tinha mais a mochila. Tudo o que levou usou lá na terra. O que não precisou
mais, ficou por lá. Certamente algum humano irá registrar.
Estavam
magníficos!
Todos
traziam em seus corpos a marca de meu Filho Jesus e uma linda coroa de puro
ouro e nela se achava escrito: “Propriedade particular do Senhor Jesus”.
E
quase me surpreendi, para usar um vocabulário bem humano, quando percebi que o
primeiro casal que puxava a fila, logo atrás de Jesus e, enquanto eu o abraçava
eles fitavam os olhos em mim sem piscar, doidos para serem vistos por mim de
novo. Ali estavam Adão e Eva.
Estavam
lindos de novo, como na tarde anterior, última vez que os encontrei antes
daquele dia ..... ah” essa história não
cabe aqui. Desculpe, me excedi um pouquinho quando lembrei da história de casal
tão lindo. Que saudades dessas criaturinhas simpáticas! Como me alegrei com
isso!
Sabem,
todos vocês são meus filhos amados. Sou apaixonado por cada um de vocês
particularmente e todos sabem disso. Mas Adão, foi meu projeto original. Nem
imaginam como eu, meu Filho e o Espírito Santo nos debruçamos por longos
“tempos” rsrsrs, para podermos criar este ser tão lindo e decidimos que ele
deveria parecer-se conosco. Por isso, literalmente colocamos as nossas mãos na
massa. Pegamos o barro que já havíamos criado e trabalhamos cuidadosa e
carinhosamente moldando e o observando todos os detalhes até que Adão foi
formado.
Então,
coloquei a minha própria boca em sua boca e assoprei nele o hálito do meu AMOR
e Adão começou a viver de forma surpreendente. Vocês têm a marca do meu Filho
Jesus, mas adão carrega as minhas digitais por todo o seu corpo.
Por
isso naquele dia fiquei muito contente com a sua chegada de novo à minha presença,
no céu, o que, na verdade já deveria ter acontecido há muito, muito mais tempo,
se ele não tivesse me deixado. Mas agora, olha eles aí. Perfeitos, resgatados.
Eva continua linda como quando a formei da costela de Adão. Nem parece que já
tem quase sete mil anos ..rsrsrs!
Ver
toda aquela multidão entrando barulhenta com meu Filho era tudo o que queria
ouvir nesses últimos “tempos” e, tudo isso me alegrou muito.
Como
almejei por este dia! Como queria muito ver face a face meus valentes que
lutaram, sofreram, foram pilhados, rasgados, triturados, mas não negaram a fé.
Como foi bom ver Abel, Noé, Abraão, Isaque e Jacó. Raabe, Rute e Samuel. Davi e
Salomão. Moisés, Josué e Calebe. Isaías, Jeremias que chorou muito mas valeu a
pena. Elias, Zacarias e Daniel, eta cara bom esse sujeito. Paulo, Pedro Tiago e
João. Aquele ladrão que morreu ao lado do meu filho também chegou, bem assim
como aquela prostituta que nem nome foi recebeu, mas aqui ela é filha do Rei.
Também chegou bem.
Que
dia foi esse! Que momento mais sublime foi
este!
Ecoava
ainda em meus ouvidos o brado de vitória do meu Filho Amado, naquela cruz
maldita, “está consumado”. Que momento! Que determinação!
Sozinho
e abandonado até mesmo por mim. Sabem, naquele momento, vou confessar mais uma
coisinha íntima: eu simplesmente não
conseguia olhar para ele. Estava horrível! Seu aspecto era repugnante! Precisei
desviar meu olhar naquela hora da maior necessidade que ele tinha de meu apoio.
Ele só queria um olhar, um aceno de carinho, uma palavra de conforto, um
“aguenta firme Filho”, e eu, decididamente não podia confortá-lo naquela
situação horrível em que se encontrava. Não mesmo.
E
pensam que foi fácil, mesmo para mim? Pois não foi. Imaginem como fiquei quando
ouvi meu próprio Filho Amado, no momento de sua maior dor olhar para mim e
quando me viu de costas para ele, dizer: “Pai, porque me desamparastes”?! Ei
meu Pai, sinto dores, fadigas, desespero em minha alma! Como cães do inferno
querem me devorar ainda vivo”! Tudo isso e coisas que nem posso expressar que não
compreenderia, foi um golpe tremendo em minha alma. Quanta dor senti.
Foi
duro demais, mesmo para mim!
Minha
alma se desmanchou em prantos!
Entretanto,
é importante que todos os homens saibam que aquele momento era único em toda a
história da existência de todas as coisas tanto as do céu quanto às da terra.
No exato momento em que meu amado Filho bradava: “Está consumado”, eu nele e
por ele destruía completamente o poder do pecado, do inferno e da morte.
A
expressão “está consumado” foi uma das mais lindas declarações que jamais ouvi
em todos os tempos e em todo o universo e por toda a eternidade, pois após esse
brado,
- A redenção da humanidade se concretiza
- Pecados agora têm um fim
- O véu rasgado permanecerá para sempre assim.
E
somente por causa disso é que vejo esta multidão agora aqui, entrando após
Jesus, meu Filho Amado, irrompendo num coral ensurdecedor, vibrante, magnífico
declarando Santo, Santo, Santo é o Senhor Jesus Rei dos reis e Senhor dos senhores;
glórias para sempre ao teu Nome ó Altíssimo, amém!
Foi
diante desse cenário que me deparei e mesmo que havíamos preparado todas as
coisas para que tudo isso acontecesse exatamente como o planejado, para honrar
meu querido Filho em seu retorno ao lar. Mas Jesus é simplesmente incrível e surpreende;
ele sempre supera todas as expectativas, vai sempre muito além do planejado, do
esperado, do previsto; e foi por isso que ordenei aos portais celestiais:
Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas,
e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.
E inspirei o meu servo Davi para que registrasse como minha
Palavra, conhecido por vocês como livro dos salmos, ou para ser mais
específico, salmo 24;7-10.
Que
cena se passou por aqui!
Por
trinta e três anos e um pouco todos os portais do céu permaneceram cerrados,
cabisbaixos, em completo silêncio ...
Foi
um longo “tempo” de espera até que o seu Senhor retornasse ....
Os
portais celestiais novamente se levantaram, se expandiram, se dilataram, se
alargaram...
E
quando nos abraçamos novamente, ficamos ali bem agarradinhos, extremamente
unidos por um longo tempo, meu Filho, o Espírito Santo e eu. Após tudo ter sido
consumado, parecia que aqueles poucos “minutos” de intensa e profunda
afetividade tinham a dimensão do infinito.
Pr. Romildo P. Módolo
Julho de 2019
Sobre
o Autor
Pr. Romildo é graduado Teologia e em
Engenharia Elétrica pela UFES e pós-graduado em Psicanálise Clínica e Terapia
Sistêmica Familiar. Atualmente é o Pastor Sênior da Igreja Evangélica
Assembleia de Deus Esperança – IADE, Colina de Laranjeiras, Serra/ES. WS:
27-99822-0418
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