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quarta-feira, 3 de julho de 2019

A CRÔNICA DE DEUS



CRÔNICA DE DEUS



Hoje, tomei uma decisão muito particular. Resolvi abrir meu coração e permitir que os meus chegados pudessem ter um leve lampejo daquilo que guardo à sete chaves há bastante tempo, para não entrar no detalhe de anos, décadas, séculos, milênios ou quiçá, eternidades!

Muito me apraz que tomem conhecimento de uma ínfima parcela de coisas que estão guardadas no mais íntimo da minha alma, em profundo segredo, muitas delas desde os tempos eternos, outras bem mais recentes, apenas alguns milênios, mas, que enfim, hoje resolvi botar pra fora e lhes revelar.
Essas coisas configuram dentre aquelas que são extremamente significativas de tudo o que já aconteceu por toda a eternidade, não somente a mim, mas a toda a existência.  

Considerando a cronologia que resolvi estabelecer para reger os tempos da terra, percebo que já se passaram mais de trinta e três anos; para ser mais exato, um pouco mais de trinta e três anos e meio. O mais incrível de tudo isso que aquilo que deveria, para mim, ser apenas um lapso de tempo, realmente está parecendo, como dizem os humanos, uma eternidade. A impressão que tenho é que o “tempo” parou no tempo ou, quem sabe, vocês dizem a todo tempo, por aqui não existe mesmo o “tempo”.

Sabem de uma coisa bem pessoa, para continuar falando a verdade como sempre: nunca pensei que chegaria o “tempo” em que começaria a marcar e a contar o tempo, se é que vocês me entendem!!

Em toda a minha eterna existência nunca houve e nem jamais haverá um “tempo” tão longo como aqueles trinta e três anos e meio.
Decididamente uma eternidade!
Acreditem se quiserem, mas sei que crerão em tudo o que eu disser, mas durante todos aqueles infindos anos, nem um dia sequer deixei de olhar durante muitas horas por dia, cuidadosa e atentamente para a terra, na expectativa, sabem, de talvez poder vê-lo andando daqui pra lá e de lá pra cá, já que ele é incapaz de permanecer estático, parado por muito tempo. E sempre que conseguia vê-lo, em nenhum de todos desses dias o vi sentado à sombra de uma árvore ou deitado em uma rede ou ainda em uma linda cachoeira e por sinal ele mesmo havia criado aí na terra. Não! Ele não sabia apenas ver o ver o tempo passar. Suor no rosto, poeira nos pés, barba por fazer, cabelos despenteados, um lanche na mochila e assim mais uma vez lá vai ele apressado caminho do mar.
Alguém o chamou! E, lá vai ele de novo. Nem deu para terminar o lanche. Mas isso é próprio dele. Sempre foi assim. Primeiro os outros. Se der, me cuido depois, falava ele, ainda por aqui.
Há três dias não o vejo por andando por aí sobre a face terra. Mas isso não me preocupa agora.
Com certeza parado não está.
É provável que esteja terminado mais uma das suas missões extremamente importante em algum outro lugar.
Ele sabe o que faz e conhece cada o detalhe desse projeto que ele mesmo ajudou a planejar.
Deve estar e riscando da sua agenda certas pendências antigas; dívidas pagas a alto preço em prol da liberdade.
Trata-se um acerto de contas preliminar.
Dívidas feitas há tempos pelos homens, mas ele desceu lá no abismo, na região da sombra da morte para quitá-las por eles.      
E com certeza, se conheço bem o meu Filho, ele vai arrancar a duplicata da mão do agiota, esfregar em sua cara o comprovante de quitação paga e rasgar ali mesmo.    
Então declarará para os principados, potestades, demônios e para a morte: “Eles agora são inocentes e voltarão para o lugar original de onde saíram, mas vocês irão para o inferno. Aguardem! O dia de vocês chegará”.
É exatamente isso o que está acontecendo e por isso não vejo mais caminhando de um lado para o outro. Por isso ouvi um brado há três dias: Está consumado! Até eu me arrepio!
Meu Filho é o MÁXIMO!.

E agora, por esses dias, há um movimento frenesi por aqui.
Uma vigília constate, uma espera incansável pelo retorno dEle. O tempo cumpriu-se. Tudo está feito. Cada movimento, cada ação da Sua vida na terra foi rigorosamente acompanhado por todos nós por aqui. Muitos foram tensos, outros simplesmente espetaculares. Mas nenhum deles fugiu um “til” dos seus propósitos por mim planejados. Para isso, além da minha ação própria e do Espírito Santo, mobilizei também os exércitos que Ele havia criado e treinado e os coloquei inteiramente à serviço do REINO. Vitória esmagadora! Obediência absoluta de Jesus, o Filho Amado!   


O CÉU EM ESPERA
 O momento mais esplendoroso, mais magnífico, mais espetacular que a eternidade jamais presenciou até então, posso dizer sem “medo de errar”, o mais esperado e desejado de todas as potestades celestiais, enfim aconteceu. Por mais que tivéssemos preparado tudo no detalhe, ainda assim fomos “surpreendidos” pela magnificência do esplendor e da exuberante glória daquele momento único, quando meu Filho querido, Jesus, rompeu os portões celestiais num ato de profundo altruísmo com uma coroa de conquista REAL em sua cabeça e um brado de VITÓRIA em seus lábios. Ele entrou imponente, elegante, confiante como uma verdadeiro Rei e Senhor, absoluto.
Os céus então se abriram e se curvaram diante a Majestade suprema do seu Senhor.
Não houve quem não se curvasse, quem não o adorasse, quem não tentasse tocar nEle de novo, agora Jesus Cristo Homem ..... como dizem os humanos: o cenário era realmente divino.

Como ansiei por este momento!
Como trinta e três anos e meio até para mim parece que “demoraram” mais do que que deviam!

E vejam que momento singular é este. Meu Filho não veio só. Fiquei muito “tempo” prestando “toda” minha atenção somente nEle, pois queria abraçá-lo de novo e dar aqueles tapinhas nas costas e dizer aquelas coisas que a gente diz para as pessoas que amamos e também enaltecer Sua preciosíssima vitória sobre o pecado, a morte e o inferno. Mas assim que abri meus olhos, ainda abraçado a Jesus, enxugando algumas lágrimas em suas próprias vestes de linho brancas, vejo bem atrás dele uma multidão que quase “nem eu” podia contar de tão numerosa. Estavam lindos! Jubilosos! Eufóricos! Não conseguiam fechar a boca um só segundo e todos a uma só voz entoavam o cântico novo que meu Filho os havia ensinado e colocado em suas bocas. Estavam todos lindos, exuberantes inexplicavelmente belos!
Todos usavam as vestes brancas que Jesus havia levado quando foi para a terra e percebi que nenhuma veste foi trazida de volta em sua mochila. Aliás, vi que nem tinha mais a mochila. Tudo o que levou usou lá na terra. O que não precisou mais, ficou por lá. Certamente algum humano irá registrar.
Estavam magníficos!
Todos traziam em seus corpos a marca de meu Filho Jesus e uma linda coroa de puro ouro e nela se achava escrito: “Propriedade particular do Senhor Jesus”.
E quase me surpreendi, para usar um vocabulário bem humano, quando percebi que o primeiro casal que puxava a fila, logo atrás de Jesus e, enquanto eu o abraçava eles fitavam os olhos em mim sem piscar, doidos para serem vistos por mim de novo. Ali estavam Adão e Eva.
Estavam lindos de novo, como na tarde anterior, última vez que os encontrei antes daquele dia  ..... ah” essa história não cabe aqui. Desculpe, me excedi um pouquinho quando lembrei da história de casal tão lindo. Que saudades dessas criaturinhas simpáticas! Como me alegrei com isso!
Sabem, todos vocês são meus filhos amados. Sou apaixonado por cada um de vocês particularmente e todos sabem disso. Mas Adão, foi meu projeto original. Nem imaginam como eu, meu Filho e o Espírito Santo nos debruçamos por longos “tempos” rsrsrs, para podermos criar este ser tão lindo e decidimos que ele deveria parecer-se conosco. Por isso, literalmente colocamos as nossas mãos na massa. Pegamos o barro que já havíamos criado e trabalhamos cuidadosa e carinhosamente moldando e o observando todos os detalhes até que Adão foi formado.
Então, coloquei a minha própria boca em sua boca e assoprei nele o hálito do meu AMOR e Adão começou a viver de forma surpreendente. Vocês têm a marca do meu Filho Jesus, mas adão carrega as minhas digitais por todo o seu corpo.
Por isso naquele dia fiquei muito contente com a sua chegada de novo à minha presença, no céu, o que, na verdade já deveria ter acontecido há muito, muito mais tempo, se ele não tivesse me deixado. Mas agora, olha eles aí. Perfeitos, resgatados. Eva continua linda como quando a formei da costela de Adão. Nem parece que já tem quase sete mil anos ..rsrsrs!

Ver toda aquela multidão entrando barulhenta com meu Filho era tudo o que queria ouvir nesses últimos “tempos” e, tudo isso me alegrou muito.
Como almejei por este dia! Como queria muito ver face a face meus valentes que lutaram, sofreram, foram pilhados, rasgados, triturados, mas não negaram a fé. Como foi bom ver Abel, Noé, Abraão, Isaque e Jacó. Raabe, Rute e Samuel. Davi e Salomão. Moisés, Josué e Calebe. Isaías, Jeremias que chorou muito mas valeu a pena. Elias, Zacarias e Daniel, eta cara bom esse sujeito. Paulo, Pedro Tiago e João. Aquele ladrão que morreu ao lado do meu filho também chegou, bem assim como aquela prostituta que nem nome foi recebeu, mas aqui ela é filha do Rei. Também chegou bem.
Que dia foi esse!  Que momento mais sublime foi este!

Ecoava ainda em meus ouvidos o brado de vitória do meu Filho Amado, naquela cruz maldita, “está consumado”. Que momento! Que determinação!
Sozinho e abandonado até mesmo por mim. Sabem, naquele momento, vou confessar mais uma coisinha íntima:  eu simplesmente não conseguia olhar para ele. Estava horrível! Seu aspecto era repugnante! Precisei desviar meu olhar naquela hora da maior necessidade que ele tinha de meu apoio. Ele só queria um olhar, um aceno de carinho, uma palavra de conforto, um “aguenta firme Filho”, e eu, decididamente não podia confortá-lo naquela situação horrível em que se encontrava. Não mesmo.
E pensam que foi fácil, mesmo para mim? Pois não foi. Imaginem como fiquei quando ouvi meu próprio Filho Amado, no momento de sua maior dor olhar para mim e quando me viu de costas para ele, dizer: “Pai, porque me desamparastes”?! Ei meu Pai, sinto dores, fadigas, desespero em minha alma! Como cães do inferno querem me devorar ainda vivo”! Tudo isso e coisas que nem posso expressar que não compreenderia, foi um golpe tremendo em minha alma. Quanta dor senti.
Foi duro demais, mesmo para mim!
Minha alma se desmanchou em prantos!

Entretanto, é importante que todos os homens saibam que aquele momento era único em toda a história da existência de todas as coisas tanto as do céu quanto às da terra. No exato momento em que meu amado Filho bradava: “Está consumado”, eu nele e por ele destruía completamente o poder do pecado, do inferno e da morte.
A expressão “está consumado” foi uma das mais lindas declarações que jamais ouvi em todos os tempos e em todo o universo e por toda a eternidade, pois após esse brado, 

  •    A redenção da humanidade se concretiza
  •    Pecados agora têm um fim
  •    O véu rasgado permanecerá para sempre assim.


E somente por causa disso é que vejo esta multidão agora aqui, entrando após Jesus, meu Filho Amado, irrompendo num coral ensurdecedor, vibrante, magnífico declarando Santo, Santo, Santo é o Senhor Jesus Rei dos reis e Senhor dos senhores; glórias para sempre ao teu Nome ó Altíssimo, amém!
Foi diante desse cenário que me deparei e mesmo que havíamos preparado todas as coisas para que tudo isso acontecesse exatamente como o planejado, para honrar meu querido Filho em seu retorno ao lar. Mas Jesus é simplesmente incrível e surpreende; ele sempre supera todas as expectativas, vai sempre muito além do planejado, do esperado, do previsto; e foi por isso que ordenei aos portais celestiais:

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.

E inspirei o meu servo Davi para que registrasse como minha Palavra, conhecido por vocês como livro dos salmos, ou para ser mais específico, salmo 24;7-10.  

Que cena se passou por aqui!

Por trinta e três anos e um pouco todos os portais do céu permaneceram cerrados, cabisbaixos, em completo silêncio ...
Foi um longo “tempo” de espera até que o seu Senhor retornasse ....

Os portais celestiais novamente se levantaram, se expandiram, se dilataram, se alargaram...

E quando nos abraçamos novamente, ficamos ali bem agarradinhos, extremamente unidos por um longo tempo, meu Filho, o Espírito Santo e eu. Após tudo ter sido consumado, parecia que aqueles poucos “minutos” de intensa e profunda afetividade tinham a dimensão do infinito.


Pr. Romildo P. Módolo
Julho de 2019

Sobre o Autor
Pr. Romildo é graduado Teologia e em Engenharia Elétrica pela UFES e pós-graduado em Psicanálise Clínica e Terapia Sistêmica Familiar. Atualmente é o Pastor Sênior da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Esperança – IADE, Colina de Laranjeiras, Serra/ES. WS: 27-99822-0418

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