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quarta-feira, 20 de maio de 2020

A TRAGÉDIA DO ÉDEN


A TRAGÉDIA DO ÉDEN
(crônica)

Introdução
É quase inimaginável pensar que nossa mãe Eva, ali no paraíso, lugar secreto, na mais completa inocência e pureza de alma, destituída das maldades da mente, das provocações da carne e da concupiscência dos olhos, tenha se deixado seduzir pelos argumentos do maligno.
Sou daqueles que entendem que Adão e Eva, o casal primitivo criado por Deus para povoar e governar a terra, tiveram uma longa e maravilhosa vida no paraíso onde o Senhor os pusera e os dera como possessão terrestre, antes de cederem à tentação. Gosto de viajar nesse cenário e, com toda reverência que merece as Sagradas Escrituras, inerrantes em todas as suas narrativas, de Gênesis a Apocalipse, faço algumas inserções e inferências entre um versículo e outro, tentando ouvir o que Deus estava falando, ler o que o Autor da Vida estava escrevendo e ver o que os Seus olhos santos estavam vendo naqueles momentos humanamente escondidos.
Entretanto, fiquem à vontade para discordarem. Acreditem se quiserem!
Então, viagem comigo pela história de papai e de mamãe, ocorrida ainda outro dia, bem recente.
1.     Nossos pais originais, Adão e Eva resolveram fazer sua primeira cabana em um lugar muito especial, se é que se pode dizer que no Jardim do Éden havia um lugar mais especial que outro. Mas, enfim, a construíram bem do lado oeste do lago das Águias, de frente para o nascente do sol, cujos raios todas as manhãs coloriam e viajavam por sobre as pequenas ondas encrespadas das suas águas cristalinas. Deste lago, do lado oriental, nascia o rio que o Senhor colocou no Éden, conforme Gn2,10, do qual derivavam quatro braços, a saber, Pisom, Havilá, Gison e Tigre. Logo do outro lado do lago, que não era muito grande, ficava a montanha do Carvalho, local onde Adão escolhera para ser seu principal ponto de observação e posto fixo de seu trabalho, quando trabalhava por ali mais perto da sua cabana. Desta forma, o trajeto entre o lago das Águias e a montanha do Carvalho, era o caminho da roça do casal. Coisa de vinte minutos de caminhada, por uma estradinha exuberante, com muitas árvores de ambos os lados e toda decorada pelas lindas flores que o Senhor havia plantado por ali. Aproximadamente no meio desse trajeto, encontrava-se a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, a árvore proibida. Quase todos os dias o casal passava por ali várias vezes. E ali, sábia e devidamente plantada pelo Senhor Deus, achava-se exuberante e magnífica, a árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. 

2.     Quantas vezes Eva deve ter passado por aquele lugar e obviamente por aquela árvore frondosa. Sempre exibindo seus frutos exuberantes, com aspectos suculentos e saborosos. À primeira vista, olhando assim de longe, pareciam saborosos.
Durante quantos anos Eva apenas passava por ali, várias vezes por dia, sem atentar para aquela linda árvore? Logo no início da sua chegada ao Éden, tinha tantas coisas para ver, descobrir, conhecer, provar que nem prestou muita atenção que aquela árvore era tão magnífica, tão atraente! Nem jamais almejou cobiçá-la. Eva estava ocupada demais como ajudadora de Adão, seu companheiro, e desta forma, em sua agenda diária havia outras prioridades que iam de encontro ao mandato do Senhor: cultivem e guardem o jardim.  

3.     Entretanto, com o passar do tempo, após já ter descoberto e experimentado quase de tudo por ali daquilo que era-lhe permitido pelo Senhor Deus, em um determinado dia que ninguém sabe qual era, pois eles ainda não contavam o tempo, Eva simplesmente se pega paradona e vidrada admirando aquela Árvore, do Conhecimento do Bem e do Mal. Quando Eva vem à tona e cai na real, dá uma esfregada nos olhos, solta um “UFA” e segue adiante até onde Adão estava fazendo as tarefas previstas para aquele dia; anotando os nomes, classificando espécies e particularidades de plantas, animais e outras coisas que ia descobrindo a cada passo, conforme o Senhor lhe ordenara.
   
4.     Provavelmente durante o restante aquele dia Eva não tenha conseguido prestar muita atenção naquilo que Adão estava fazendo. Vislumbrou várias vezes aqueles minutos de contemplação da Árvore do Bem e do Mal e em sua mente martelava: “o dia em que dela comerem, morrerão”; “não comam”, “não comam”, “não comam”!!

5.     Quando voltou para casa, no final daquele dia, junto com seu esposo Adão, aí pelas 18 h, ainda havia sol alto, pois era verão. Quando iam chegando perto local onde se encontrava plantada a Árvore, Eva diminuiu o passo ficando um pouquino para trás e comentou para seu companheiro:

ü Amor, sabia que de todo esse tempo que estou morando aqui, somente hoje cedo quando ia passando por aqui para trazer seu chá de ervas é que notei como esta árvore é bonita e agradável e seus frutos têm cara de suculentos, gostosos! Chega dá gosto na boca, não acha?

6.     Não é que tinha mesmo, pensou Adão que agora, induzido por Eva começava ver o que antes não via: A beleza da árvore do Bem e do Mal e como realmente os seus frutos eram desejosos. Incrível! Antes ele não havia percebido mesmo passando por ali várias vezes por dia. Que coisa não?

7.     Rapidamente Adão refez seu pensamento, esfregou os olhos, repreendeu aquela nova sensação, olhou disfarçadamente para os lados para ter certeza que ninguém estava os observava (mas havia) e pegou pelo braço de sua companheira e disse: Bora pra casa preparar o jantar. Primeiro um banho na cachoeira dos fundos e blá, blá, blá, saíram correndo iguais a duas crianças .... amanhã teremos mais um longo e abençoado dia pela frente.
E, disse Adão com tom de alguma preocupação que nem mesmo ele sabia o que era: te cuida!  

8.     À noite, após a ceia que Eva preparara com ervas, frutas e legumes, enquanto descansava, um filme começou a passar pela mente de Adão, coisa que nunca havia acontecido antes. Apegou-se contemplando aquela árvore e ouvindo a fala da sua esposa naquela tarde. Ponderou, tentou não pensar, desviar a atenção, mas a voz de Deus soava em seus ouvidos simultaneamente: “Não comam desta árvore; vocês irão morrer!”
O sono naquela noite foi mais difícil de conciliar naquela noite. Rolava de um lado para o outro enquanto Eva roncava a todo vapor. Tinha sonhos horríveis. Parecia que alguma força estava tentando puxá-lo para leva-lo aquele lugar, mas tentava resistir de toda forma.
Levantou-se várias vezes e saiu da cabana para beber água na bica lá do lado de fora. Aproveitava e olhava as estrelas e permaneciam todas iguais e em seus lugares. Muitos animais pastavam e dormiam por ali. De repente tomou um grande susto com o grunhido de uma coruja e um bacurau passou raspando sua orelha direita. Voltou para a cama para tentar dormir mais um pouco. Já madrugada. Sono pesado, mas conseguiu dormir.
Antes um pouco do amanhecer, durante o sono rem, teve um pesadelo terrível que o fez acordar com um pulo da cama, assustando Eva que abriu a um berreiro gritando: o que foi meu amor?! E abraçando Adão disse: que susto me deu. Vamos voltar para a cama de novo. Dá pra dormir mais um pouco; ainda está escurinho...
Mas o sono de Adão tinha ido completamente embora.
Então, Adão disse: Não tenho mais condições de dormir ... preciso lhe contar um sonho que tive.

9.     Então, sentando-se em um tronco de madeira no canto da cabana, Adão chama Eva bem pra perto e bastante assustado, enrolando-se em seu mando de fibra de sisal, faz o relato do seu sonho.
- De repente estava ei ali, bem em frente àquela árvore proibida. Estava com os olhos cravados naqueles frutos deliciosos; olhava de um lado para outro, para um lado e para outro, várias vezes sem conseguir tirar os olhos dos benditos frutos. E a voz do Senhor era intermitente nos meus ouvidos: “Não comam porque vocês morrerão”.
Então, comecei ouvir você me chamando por várias vezes: Adão, amor, ei Adão e depois e procurar várias vezes, olhando para todos os lados, vi você por entre os galhos da árvore, por detrás dela. E você estava olhando para mim e saboreando com muito gosto uma daquelas frutas proibidas, da Árvore do Bem e do Mal, e me dizia: Tenha medo não, homem de Deus! Pega uma também. Não tá vendo que não aconteceu nada comigo. Olha bem e vê que estou vivinha da silva, que não aconteceu nada comigo, que não morri coisa nenhuma!
Aí você deu outra dentada saborosa naquela fruta. Senti o gosto daquela mordida em minha boca e realmente percebi que era deliciosa.
Pensei com meus botões: Talvez que o Senhor estava apenas fazendo um teste conosco, tentando nos provar por quanto tempo iríamos resistir sem comer daquele fruto. Um teste para nós mesmos. É, deve ser isso.
Então, antes que pudesse dar conta e repensar tudo aquilo, olhei para onde você estava e não mais a vi. Pensei: Deve estar por detrás do tronco da árvore, já que era formidavelmente grosso e já me apanhei com um fruto na mão e assim que o levei à boca, sem mesmo sentir o seu sabor, você surgiu novamente por entre os galhos. Você estava incrivelmente feia, desdentada, gorda, pelancuda, despenteada, peitos caídos; parecia que havia envelhecido uns 200 anos.
Só que a visão foi tão, tão rápida que antes mesmo que eu pudesse refletir, raciocinar, tentar compreender aquela estranha visão, nós dois, ao mesmo tempo nos assustávamos terrivelmente um com o outro e quando íamos dar aquele grito de desespero, no abrir das nossas bocas, um abismo assustador ao extremo se abriu e nos arrastou violentamente para o fundo sem que tivesse qualquer coisa me pudéssemos nos agarrar.
Um sentimento muito estranho se apossou de mim, que nunca havia antes sentido e não sei ainda o que é nem como descrevê-lo, mas me assustou muito ... então, foi quando acordei gritando e tentando fugir.
Meus Deus ...o que será isso?!
Não há de ser nada meu querido, disse Eva abraçando Adão e percebeu que estava bastante trêmulo, coração acelerado e gélido. Vai lavar a cara lá na bica enquanto preparo um chá de folhas de ervas socado, leite de cabra com  uma boa coalhada e algumas espigas de milho para começar um novo dia de trabalho no Paraíso que onde o Senhor nos colocou para cuidarmos.

10.  Disse Eva, tentando consolar o marido baqueado emocionalmente por aquele “(*) pesadelo” terrível[1]: Vamos fazer o seguinte meu amor. Hoje, no final da tarde, quando o Senhor vier falar conosco, como faz todos os dias, a gente conta tudo isso para Ele e vamos saber do que tudo isso significa. Deus sabe todas as coisas, não é mesmo? Aí você aproveita e pergunta sobre esse tal sentimento estranho que teve e não sabe o que é.
- É ....
- Pode ser, disse Adão. Vamos esperar então até à tarde. Creio que esse dia vai ser muito longo!

11.  Adão mal acabara de engolir aquele delicioso manjar matinal preparado por Eva, sua esposa e após dar um beijinho de despedida, sai para dar continuidade ao trabalho em que parara ontem, do outro lado do lago das Águias, ao pé da montanha do Carvalho, nomes que já haviam dado a esses monumentos geográfico. Eva ficou em sua cabana dando aquela geral básica rotineira para depois acompanhar seu esposo nas atividades que o Senhor lhes tinha atribuídos. Todos os dias, salvas poucas exceções, as coisas acontecem desta forma. Eva vai e fica ali com Adão, ajudando aqui, olhando ali, brincando com algumas flores nos cabelos, dando um mergulho no lago ou correndo atrás de alguns animais que pastam por perto, como borboletas, coelhos, corsas, girafas, leões, etc. E, com tanta vitalidade e jovialidade, Eva joga muita alegria em todo aquele cenário.  É tudo o que Adão precisa para completar a felicidade do seu dia; sua esposa por perto. E ela permanece por ali até o horário em que ela volta para casa para preparar o almoço. Normalmente uns quarenta minutos a uma hora após sua volta para casa, Adão também vem para almoçar.
Mas o dia de hoje fugiu completamente à rotina. Eva preparou o lanche de sempre para o seu companheiro, saiu de sua casa, mas não chegou ao seu destino.

12.  Aquele dia amanhecera muito atípico. Adão e Eva acordaram com um forte sacolejo. Foi uma pancada da alma aquele pesadelo bobo de Adão. Enquanto ali no Paraíso, jamais haviam presenciado quaisquer adversidades ou sentimentos que não fossem de completa segurança, paz e bem-estar. Eva também estava sentindo algo estranho, talvez, fosse semelhante àquilo que Adão disse ter sentido durante o seu sonho, ou melhor, pesadelo brutal. Pensou com seus botões ou melhor com seus cachos, já que ainda não tinha botões, ponderou e enfim considerou que as coisas deveriam ser mesmo assim, já que tudo o que acontecia com eles era muita novidade. Ah! Deixa prá lá! Bora com a vida ver meu marido! E, apanhando sua trouxinha com o lanche dele, partiu. Mas, normal, não estava. Talvez não seja necessariamente comigo que haja algo estranho, mas com o ambiente por aqui. É, deve ser, cogitou Eva.

13.  E lá vai nossa mãezona Eva, a mãe de todas as gentes. Pensa numa mãe linda, elegante, atual, resolvida com tudo! Toma o rumo da montanha do Carvalho, onde Adão está fazendo suas tarefas diárias. Aquele trajeto era demais especial para Eva. Normalmente passava por ali ainda nas primeiras horas da manhã; o orvalho molhava as plantas rasteiras e gotejava com particular beleza, às vezes molhando sua cabeleira e fazendo barulho ao caírem sobre as folhas secas à beira do caminho. Mas aquele dia as coisas não estavam tão belas. Decididamente havia alguma coisa diferente no ar. Mas Eva seguiu aquele quase mágico caminho. De repente, nossa mãe, mais uma vez, se depara com o olhar cravado para um monumento inusitado: A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. E hoje ela está se mostrando excessivamente atraente e desejosa. Eva olha, observa os detalhes daqueles frutos coloridos e de formatos perfeitos e de aspectos deliciosos, desejosos. Antes não eram assim. Mas Deus disse: “Não comam desses frutos para não morrerem”. Lembrou mais uma vez da voz do Senhor e, fazendo um certo esforço conseguiu desviar o olhar para retomar seu caminho, mas sua mente continuava vendo aquela maravilha proibida.
Assim que se vira para ir embora ouve alguém lhe chamando lá paro lado da árvore, com voz bastante suave:
       - Eva, Eeeva...
Eva olha para todos os lados, procurando encontrar quem a chamara, mas não encontra ninguém e acha estrando porque, por aquelas bandas as únicas vozes que ouvira até então era a voz do Senhor Deus e a do seu companheiro Adão. Mas esta voz, decididamente não era nem de Deus e nem de Adão. A voz de Deus é simplesmente magnífica, suave, esplendorosa, estrondosa no sentido do volume de plenitude que ela alcançava. Quando Eva ouvia Deus falando, ainda de longe, gerava um sentimento de paz, segurança, felicidade quase inexplicáveis. A voz do Senhor era inconfundível. Dele, não era. Por outro lado, a voz de Adão apesar de macia era ao mesmo tempo grave, determinada, amorosa, também inconfundível. Essa voz decididamente não era nem a do Senhor e nem a voz de Adão, ponderou Eva! Uau, mas de quem seria então?
Então Eva colocou as coisas que trazia no chão, mansa e cuidadosamente, sem tirar os olhos lá para o lado da árvore, de onde a voz tinha vindo. Então, assim que fixa mais atentamente seu olhar bem na base do tronco da árvore, percebe uma linda figura de um animal lindo que Eva conhecia muito: uma serpente, exageradamente sedutora, elegante, simpática e apresentava um aspecto que parecia não lhe ser comum. Eva só são conseguia identificar o que era. E ali estava aquela cena: Eva, a serpente, árvore e ...

14.  Então a serpente sedutora chama Eva para perto e, de repente Eva já está ali, bem debaixo daquela frondosa e imensa árvore, cujos frutos suculentos tratavam de prover uma decoração à parte, quase tocando o chão, pareciam ainda mais encantadores. A vontade era dar logo uma boa mordida para saber o se o seu sabor era compatível com a sua aparência. E assim que pensou nisso, a serpente parecia que lhe adivinhava os pensamentos e desejos e logo lhe lança um desafio e provoca uma cobiça que jamais sentira: provar do fruto para ter o mesmo poder que Deus tinha. Só isso e para tal estavam ali aquelas delícias, até porque, Deus, bondoso que é, não iria colocar algo com aspecto tão atraente, desejoso e com poder transformador de fazer as pessoas se parecerem com Ele, apenas para enfeite e não para ser provado pelos seus filhos. Seria muito egoísmo da parte de Deus. E tudo o que Deus fez era para o bem dos seus filhos. Eva ouvia tudo isso meio sem entender bem o que estava acontecendo, como se aquele momento fosse como um sonho, outra dimensão da existência, mas foi assim que ela entendeu a bondade de Deus do ponto de vista da Serpente. Não foi bem assim que Deus disse. Leia direito o texto, Eva. Preste atenção na pontuação das palavras que o Senhor falou.
­ - É, pensou Eva, é possível que seja assim. Por que razão a serpente, esse animalzinho tão meigo teria motivos para não dizer a verdade?

15.  Adão aparece nesse exato momento. Aí entendeu por que sua esposa Eva não havia chegado onde estava fazendo suas atividades. Mas agora isso não mais importa. Ainda bem de longe Adão notou que Eva está conversando com alguém bem debaixo da Árvore proibida. Não se ateve muito ao fato nem parou para avaliar ou tentar entender o que estava acontecendo, simplesmente caminhou em sua direção. Foi chegando, meio sem compreender o que via mas foi chegando e  quando estava a alguns poucos metros de Eva, ela ouviu seus passos que chegavam e virando-se para vê-lo e abraça-lo, trazia em suas mãos um belo fruto da Árvore proibida, e ante que falassem qualquer coisa, deu uma gostosa dentada e, chegando bem próximo do rosto de Adão, de forma que podia sentir o seu hálito, colocou aquele fruto em sua boca, que o comeu sem qualquer questionamento. Então Adão e Eva se abraçaram longamente. Adão perguntou, meio atordoado:
       - Com quem estava conversando, parece que ouvi vozes quando estava chegando?
       - Estava falando com um Serpente encantadora.
E vira-se para o local onde ela deveria estar, para apresentar a Adão, mas, para sua surpresa, não a encontrou. Onde estaria ela? Chega mais perto, olhando por trás da Árvore e por entre seus ramos e arbustos e, nada. Adão, meio duvidoso e coçando a cabeça pergunta mansamente:
     - Tem certeza que a Serpente “conversou” com você, ou seja, que ela realmente falou alguma coisa?
       - Claro, meu amor, respondeu Eva, claramente.
       - E o que conversavam, perguntou Adão.
Então Eva, chegando mais perto da Árvore, afastando seus ramos de uma lado para o outro, deu um grito de espanto e um grande salto para trás gritando:
       - Meu Deus, que animal estranho e horrível é este?
Então Adão correu em seu socorro e abraçando Eva para não cair devido ao susto e olha para a direção que ela apontava e lá estava, aquele animal asqueroso, aspecto jamais visto no Paraíso, enrolado no galho da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Meu Deus o que é isso, pensou Adão.
Entretanto, num repente Adão percebeu que estava tendo aquele sentimento que não conseguia explicar que sentiu em seu sonho. Era algo assustador e estava ali, agora sentindo essas coisas estranhas que nunca tinha acontecido com ele durante todos aqueles anos ali no Paraíso. Passou à frente de Eva para ver o animal mais de perto, mas recuou diante do aspecto terrível e monstruoso que aquele cenário apresentava. Deus não havia falado que existia aquele tipo de animal por ali e que deveriam cuidar dele. Adão pensou, ponderou, tentou entender, mas nada. Apenas aquela sensação estranha.
Então, virando-se para olhar e acalmar sua esposa deparou-se com uma imagem extremamente assustadora: Eva estava horrível .... Meu Deus, pensou Adão. O que está acontecendo conosco?
Então, lembrou Adão do seu sonho e antes que pudesse comentar com Eva qualquer coisa, ambos se envergonharam ou do outro por verem que estavam nus.
Saíram correndo para buscarem um esconderijo, mas antes que conseguissem chegar se afastar muito ouviram uma voz bem conhecida. Mas a voz que antes desejada e que trazia paz, alegria, segurança agora, os assusta e imprime sentimentos jamais percebidos em suas almas.
Então o Senhor Deus chega e os encontra fugindo da Sua presença. Eles até que tentaram explicar, mas nunca mais encontram aquele lugar de segurança e conforto que haviam construído no Éden.
Já não há mais Éden, só o abismo ficou e por muitos milênios!

Pastor Romildo P. Módolo
17/04/2020

Sobre o Autor

Pr. Romildo é graduado Teologia e em Engenharia Elétrica pela UFES e pós-graduado em Psicanálise Clínica e Terapia Sistêmica Familiar. Atualmente é o Pastor Sênior da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Esperança – IADE, Colina de Laranjeiras, Serra/ES. WS: 27-99822-0418




[1] (*) – Sabemos hoje que Adão não teve um sonho e sim uma revelação do Senhor daquilo que estava para acontecer muito brevemente ali no Éden.

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